A criação artística pressupõe eliminar, justapor e constantemente polemizar o interior da própria obra. Mesmo sob a tentação da letargia ou da alienação, afastam-se, somam-se e geram-se posturas individuais e comunitárias. Os quatro artistas desta coletiva apresentam suas obras dentro de tais elementos. O diferencial é que se modelam à ideia de oposição.
Bruno Mendonça, Camila Nassif, Felippe Moraes e Henrique de França exibem o frescor de uma arte que se contextualiza dentro das múltiplas e aborrecidas crises da atualidade. Assim seguem seus propósitos. Cada um produzindo febrilmente num ambiente de incertezas. Opondo-se.
Resumidamente eles tratam, respectivamente, dos reagrupamentos de imagens, de trabalhar com o vazio, do espiritual na arte e da construção da memória.
Como provocação curatorial foi sugerido aos artistas responderem a duas perguntas. O que te moves? e o que te opões aos outros? As demandas fizeram com que cada um colocasse a sua dimensão poética particular e a contextualizar- se diante do grupo e do mundo. Tal situação criou o sentido de oposição a qual se refere o título da coletiva.
As respostas vieram instantâneas. As particularidades e generalidades da exposição podem certamente comover e contrapor o público diante da crise de existir e, misteriosamente, de prosseguir.
Washington Dellacqua